Uma pedrada na cara da sociedade

Antes de mais nada, leitor, deixe o preconceito de lado ao começar a ler este texto.  Não estou aqui para falar sobre Pelanza, Restart ou gosto musical. Esse texto é sobre um cara de 19 anos, que levou uma pedrada na cabeça enquanto trabalhava. Esse texto é sobre a falta de respeito e bom senso de um cidadão que se achou no direito de ferir alguém.

Pelanza logo depois de levar a pedrada. Músico levou um ponto no local do ferimento.

Milhares de pessoas atiram pedras, todos os dias, desta mesma forma. Esquecemos dos nossos tetos de vidro e apedrejamos tudo aquilo que consideramos errado. Mas, que seja, não vim falar de moralismo ou falso moralismo, já que a pedra atirada contra o vocalista, durante o show, foi real. E com a intenção de machucar, obviamente, já que ninguém atira o que quer que seja achando que isso não vá ferir. Essa pedra, na cara da sociedade, fere os padrões de boa conduta, de convivência social, que aprendemos desde pequenos.
Sou da opinião de que as pessoas não são obrigadas a gostar de nada, mas acho extremamente chato e irritante quem fala mal de tudo o tempo todo. Não gosta de Restart, não escuta. Simples. Não precisa condenar quem gosta e atirar uma pedra no vocalista. Não precisa sair pelo facebook fazendo piada. É ridículo, desprezível e baixo, muito baixo. Tão baixo quanto o ato covarde do cidadão responsável pela pedrada, que deve estar se gabando de ter acertado o menino e virado notícia. Bem, fazer isso enquanto anônimo é fácil. Cadê essa pessoa, que não teve a coragem de assumir o que fez? Difícil é subir no palco, expor seu trabalho a milhões de pessoas, correndo o risco constante de ser alvo de críticas.
E, sinceramente, já imaginou se todos nós saíssemos por aí, apedrejando tudo o que não nos agrada? Estaríamos todos condenados a viver, eternamente, na idade da pedra.

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.800 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 30 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

O Lula, o SUS e o blablabla

Pois bem, caros companheiros, o ex-presidente Lula está com câncer. No momento seguinte, começou a pipocar nas redes sociais a campanha “Lula, faça seu tratamento no SUS”. Em seguida, chegam os defensores da paz e donos da  verdade, criticando a piada de mau gosto. Circo armado, que comece o espetáculo. Na arena, os politicamente corretos  defendem um sistema de saúde precário, que afirmam beneficiar milhares de pessoas. Do outro lado, na corda bamba, milhares de brasileiros pedindo que o então ex-presidente do povo se trate num hospital público. Ok, eu juro que entendi até essa parte. O que eu não entendi foi em que momento a piada de mau gosto entrou em cena.

Veja bem, quando alguém que não tem plano de saúde é diagnosticado com câncer, não há piada nenhuma no fato de que sua única alternativa é depender da saúde pública. Por que então seria uma piada com Lula? Me desculpem a ignorância, mas não acho que seja um insulto pedir que um político, que tem como pilar de campanha a melhoria na saúde pública, se trate pelo SUS. E me  desculpem mais ainda aqueles que defendem o sistema.”Mas, Luiza, milhares de brasileiros são bem atendidos, voce não leu isso?”. Sim, eu li. Mas numa situação em que milhares se tornam exceção para milhões, acho inadmissível defender algo desse tipo. Eu mesma já dependi do hospital público, e me deparei com uma médica que nem sequer me examinou e receitou n medicações. Além do fato de eu estar ardendo em febre e pedir, por favor, para que ela fechasse a janela e receber um “ah, querida, mas se eu fechar a janela aí quem morre sou eu, de calor” em resposta. Já acompanhei pessoas no hospital, passando mal, que não tiveram nem a dignidade de um saco plástico para poderem vomitar em paz, em meio àquelas macas espalhadas pelo corredor.

Quer saber? Esse assunto já deu o que tinha que dar. Claro que não desejamos mal a ninguém e claro que, insistir que um político se trate no SUS seria o mesmo que pedir que os parlamentares utilizem o transporte público. Ninguém quer que ninguém morra, só quer usar a deixa como uma forma de se expressar, mesmo que isso não gere efeito algum.

E, numa boa, mas o Lula e os politicamente corretos que me desculpem mas, SUS, no dos outros, é refresco.

Capa do jornal Agora São Paulo de hoje, 02/11/2011

Quais são os seus planos?

Quando eu era pequena, tinha uma única certeza da minha vida: ser pediatra. Eu podia sentir que tinha nascido para cuidar de crianças, coisa que hoje eu não teria a mínima paciência. Com o passar do tempo, a pediatria foi sumindo e, outras certezas absolutas, dessas que ninguém conseguiria mudar, foram surgindo na minha cabeça.

Eu sempre soube, a partir daí, que seria mecânica. Sim, dessas de oficina mesmo, consertando carros. A faculdade de engenharia mecânica já estava decidida, até chegar na reta final do colegial.

A engenharia mecânica ficou de lado para dar lugar a uma vontade incrível de ser professora. Foi daí que a aluna nota 10 em matemática pensou em cursar essa faculdade, porque queria ser professora de ensino médio. Mas, matemática? Eu gostava tanto de língua portuguesa… As orações subordinadas eram minhas amigas também, assim como as fórmulas e aquelas contas intermináveis, que sempre me garantiram boas notas nas provas do Lessa.

Por isso, então, resolvi prestar Letras. Passei para a segunda fase da Fuvest. Português eu fui muito bem. História, o suficiente. E Geografia? Digamos que eu consegui errar 11 questões em 10.

Não passei em Letras, fui fazer Jornalismo. Quando finalmente decidi o que fazer na faculdade, me deparei com uma questão pior ainda: o que eu ia fazer na vida? Assessoria? TV? Rádio? Fotojornalismo? Repórter? Revista? Corporativa? Decidi que meu objetivo seria trabalhar na Capricho ou no Estadão.

Foi quando fui parar no SBT, trabalhando em produção, no Casos de Família. Dali então aprendi a gostar de televisão, e finalmente descobri onde eu deveria estar. Saí de lá pra Mega, pra trabalhar num jornal, mais próximo da minha área, mais próximo do que eu gostava. No começo eu carreguei fitas, colei etiquetas, traduzi textos, anotei tcs, decupagens, retrancas. Me jogaram pra edição, e aprendi a domar o Final Cut na teimosia mesmo. Me formei em jornalismo, com uma viagem praticamente planejada de intercâmbio, mas escolhi ficar e fazer a faculdade de Rádio e TV. Hoje eu sou redatora, consciente de que amanhã posso estar num lugar totalmente diferente.

Nessa semana me peguei pensando… Planejei tudo isso pra quê, se nada deu certo? Sou da opinião de que planejar pode gerar frustração, e essa a gente já ganha demais pela vida… Com essa oferta toda, acho que se frustrar devia ser uma coisa a menos para buscarmos.
Pois é… Nada, do que eu planejei até agora, deu certo. Nada, do que eu tinha certeza, chegou a acontecer ou a ir pra frente. Mas, sabe de uma coisa? Tudo o que me aconteceu foi bem melhor do que o planejado…

E você? Quais foram os seus planos?

“Todo meu repúdio ao ato de violência…”

Não, não sou PT e não votei na Dilma. Mas pela primeira vez, desde que a nossa Presidente da República assumiu o cargo, eu concordei em gênero, número e grau com seu discuro.

Dilma estava em Brasília, comemorando um fato importante para nosso país: a marca de 1 milhão de empreendedores formalizados. No lugar da comemoração, um discurso emocionado dominou o palanque, com um pesar sentido no coração de cada brasileiro. Dilma expressou todo seu repúdio ao ato de violência que abalou o Brasil logo pela manhã deste 7 de Abril de 2011.

O país amanheceu em luto nesta quinta-feira. No dia do jornalista, assistimos a um episódio sem precedentes na história, de um ato violentamente covarde e covardemente violento. Perdemos 12 crianças, alvejadas pela mente psicopata de um homem. 12 pessoas inocentes, sem culpa e sem defesa.

O relógio da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste da cidade do Rio Janeiro, marcava cerca de 8:30 da manhã. Neste horário, um ex-aluno entrou na instituição e abriu fogo contra crianças e funcionários. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, tinha tudo planejado. Um crime totalmente premeditado, com munições suficientes para matar um número ainda maior de pessoas. Até uma carta de recomendações, sobre como proceder após sua morte, já estava pronta. O atirador, logo depois de ser imobilizado por um tiro na perna, se suicidou, colocando um ponto final em sua breve demonstração de covardia. E foi assim que 12 crianças perderam a vida e pelo menos outras 18 ficaram gravemente feridas. E por que? Por que estavam no lugar errado, na hora errada? Mas, quem ousaria afirmar que a escola seria o lugar errado para uma criança estar?

Neste período como redatora, já sofri por inúmeras crianças que também perderam suas vidas da forma mais banal possível: pagando o preço caro das atitudes do homem. Já chorei silenciosamente na redação por pequenos e pequenas que nunca nem vou saber o nome, mas que tiveram seus sonhos soterrados no Haiti. Crianças que perdem a vida, diariamente, em ataques terroristas no Oriente Médio e até mesmo espancadas pelos próprios pais, na Nigéria, sob acusações de bruxaria. Perdemos crianças para os acidentes, drogas, prostituição. E as perdemos, sempre, pelo mesmo motivo: a ignorância da humanidade.

Durante a tarde de hoje, escrevi umas 4 matérias sobre o episódio do Rio. Vi as mães chorando na porta da escola e o desespero de estudantes ensanguentados. Vi a nossa Presidente Dilma, mãe, avó e mulher, chorar pelas vidas precocemente encerradas. Vi todo apelo sensacionalista da imprensa, que monta um circo nas piores tragédias, e promove um verdadeiro show de horrores. E vi como nos anestesiamos diante dos  acontecimentos mais absurdos e inaceitáveis. Só agora, quando cheguei em casa, pude refletir sobre essas crianças e a grande perda que elas representam para mim, para você, para o Brasil e, por que não? Para o mundo.

Para finalizar, já com lágrimas nos olhos, faço das palavras da Presidente Dilma Rousseff, as minhas. Peço para você, leitor, um minuto de reflexão por estes brasileirinhos, retirados tão cedo de suas vidas.

FIM, negrito, tamanho 26

Sabe aquele livro que você está devorando e de repente começa a gostar tanto de lê-lo, que começa a ler mais devagar para que não acabe, pois, a cada página que passa, você sabe que o fim está chegando e não vai haver uma continuação? Um livro que você se identificou demais e que te fez mudar de pensamento sobre uma série de coisas?

De repente esse livro chega ao lento e premeditado “Fim” e o que acontece? Você sente um vazio muito grande por dentro, como se nada mais pudesse deixá-lo feliz. Eu me senti assim com vários deles. Todos estes, quando acabaram, me fizeram sentir um vazio enorme por dentro e refletir “Será que um dia vão lançar algum outro livro tão bom quanto?”. Eu me senti assim com alguém, também. No meu livro da vida, esse “fim” estava escrito, em negrito, tamanho 26.

E é aí que entra o porquê de a vida ser tão engraçada. De repente, sem tramóias ou combinações, o livro que você tanto adorou ganha uma continuação, uma continuação mais madura e cheia de novas aventuras, mesmo que algumas delas sejam extremamente erradas.

Se vai ser tão boa quanto eu realmente não sei… E esse é o real gostinho da vida. Mas de uma coisa eu tenho certeza, a prévia de lançamento conseguiu mexer comigo e me mostrar que muitas vezes o que a gente acha certo, não é tão certo assim. O futuro? Esse só Deus sabe. Mas, por enquanto, fica o aviso: o “fim”, antes tão solitário, ganhou, sem negrito, tamanho 24, postado um pouco abaixo, os seguintes dizeres: Continua…”

Mas tudo passa, tudo passará…

Tudo nessa vida passa. Tudo. Uma dor de barriga, um dedo quebrado, um coração partido, um sonho destruído. O cansaço do dia, a noite mal-dormida, o stress dos afazeres. A saudade que aperta, um amor não começado, uma chance não dada.

Uma oportunidade perdida, um tempo não doado, um carinho não feito, um dia não vivido.

Um sorriso desperdiçado, um desafeto desnecessário, um beijo não roubado, uma música não dançada.

Quer coisa mais simples do que como uma vontade passa?

O tempo passa, a vida passa. As pessoas passam, e, enquanto elas passam, você também passa.

Tudo nessa vida passa. Tudo.

Até uva passa.

E eu não podia deixar passar em branco essa brisa da madrugada.

Beijo nas crianças!

Tudo bem?

Esses dias voltando do trabalho, passei em frente a um lugar que eu ia sempre quando era mais nova.

A Churrascaria Búfalo, ali perto do CEAGESP, era a escolha do domingo quando o assunto era almoçar com o meu pai. Meu pai, mamadi, Lu e eu adorávamos ir pra lá, no 3VFALO. Sim, o 3VFALO era o nosso nome, do nosso lugar. Se vocês vissem o letreiro da churrascaria entenderiam como um Búfalo pode se transformar em 3vfalo em segundos.

Como nós sempre íamos lá almoçar, um tal dum gerente, que eu nem me lembro o nome (ou, na verdade, nunca nem soube), vinha sempre conversar com a gente. Não importa o que acontecesse, ou o que você falasse, a resposta dele sempre era um “tudo bem” em diversas entonações. Tudo bem? TUDO BEM? Tudo bem! Tudo bem… Sempre assim. Meu pai e ele travavam um diálogo interessantíssimo de tudobens. Incrível. No final, quando o cara deixava a mesa, ficávamos fazendo piada do tudobem e imaginando várias situações. “Oi, meu gato morreu. – Ah, tudo bem”; “Oi, meu tênis é azul. – Opa, tudo bem!”. Vou te contar que a gente se divertia às custas do tudobem. Mas… Tudo bem, faz parte.

Bom, ao passar pela 3VFALO eu vi que não tinha mais 3VFALO. Pelo que indica a placa da construtora, ali vai virar uma concessionária. Engraçado que, depois de quase 7 anos, parece que eu perdi meu pai de novo. Parece que as lembranças dos nossos almoços foram demolidas e desapareceram com o 3VFALO. No lugar, ficou um vazio facilmente substituível por uma nova construção. Pelo menos ali, porque meu vazio continua enorme.

Alguém pode, por favor, chamar o gerente e dizer que não, não está tudo bem?

10 coisas que eu odeio em você

Num sábado preguiçoso, jogando FreeCell e o celular desligado. Além do que, esse filme é uma graça e me lembra os tempos do colégio…

1 Odeio o modo como fala comigo e como corta o cabelo.
2 Odeio como dirige o meu carro.
3 E odeio seu desmazelo.
4 Odeio suas enormes botas de combate e como consegue ler minha mente.
5 Eu odeio tanto isso em você, que até me sinto doente.
6 Eu odeio como está sempre certo.
7 E odeio quando você mente.
8 Eu odeio quando me faz rir muito, e mas quando me faz chorar.
9 Eu odeio quando não está por perto, e o fato de não me ligar.
10 Mas eu odeio principalmente, não conseguir te odiar.
Nem um pouco, nem mesmo por um segundo, nem mesmo só por te odiar.

Um beijo e um queijo ;*

Devaneiando…

Hoje eu senti falta dele. Dele, não, deles. Senti falta do Mansur e sua arrogância. Senti pelo seu tédio e seu aprisionamento. E a Sharifa? Mal voltou do Paquistão, nem a vi direito e já sinto saudades. Assim como senti pela doce e judiada Leila e pela bela e preguiçosa (ou mimada) Sonya. Até mesmo do ignorante e primitivo Sultan eu senti falta hoje. Até dele!

Senti falta também do ar empoeirado das ruas de Cabul; Da livraria que, todos os dias, prendia Mansur, sua juventude e seus pensamentos impuros; Das paredes com buracos de bala do Mikrorayon; Das burcas esvoaçantes pelo mercado; Das refeições feitas no chão.

Eles todos, que me acompanham no caminho para o trabalho. Agora, estou aqui, sozinha, sentada na calçada do metrô Vila Madalena e escrevendo num guardanapo do Bob’s.

Porque, hoje de manhã quando troquei de bolsa, nem um bloquinho de papel amigo eu peguei. E nessa do esquecimento/pressa, deixei todos eles em casa, sufocados, repousando no meu criado mudo.

Que merda. Odeio esquecer meu livro.

Personagens do livro-reportagem O Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad

Janelas…

Olha lá, quem tá on no msn. Quem diria, hein? Outrora, uma janelinha tão importante… E agora? Bah, agora tanto faz.

E pensar que eu passava horas e horas esperando você entrar. E quando você entrava, nossa! Só eu sabia como meu coração disparava, como eu ficava eufórica em ver sua janelinha, como eu ficava toooda idiota, calculando quanto tempo esperar para te falar um “oi”. Claro, porque se eu falasse assim que você ficasse on, pareceria desesperada demais. Se demorasse, vai que você saia de novo! E, nesses poucos minutos, a agonia tomava conta de mim. Mesmo porque, esperar um “oi” seu era terrível. Era a certeza de que não falaria com você naquele dia. Aí, meu mundo caiu e já era. Esperar mais um dia pela sua janela.

Agora, a sua janela não produz efeito nenhum. Pode estar on, ausente, ocupado, fazer spam. Sério, não dou a mínima. Não por vingancinha, orgulho… Nada disso. Simplesmente porque não me faz diferença mesmo.

Engraçado isso, né? Hoje em dia, eu não sinto mais essa ansiedade por uma janela. As pessoas mudam, crescem, amadurecem sentimentos. A sensação das janelinhas pode até existir, mas com menor intensidade. Talvez apenas por uma gostosa nostalgia. Com certeza, todos nós já fomos, ou somos,  as tão aguardadas janelas. E que todos nós somos, ou seremos, as janelas indiferentes.

Que seja, já está tarde, e eu nem sei porque comecei esse texto… E minha janelinha da vez acabou de falar comigo! (:

Beijobeijo :*

Enterro de pobre

“Não há nada mais triste do que enterro de pobre porque não há nada pior do que morrer de favor. Não há nada mais brutal do que não ter de seu nem o espaço da morte. Depois de uma vida sem lugar, não ter lugar para morrer. Depois de uma vida sem posse, não possuir nem os sete palmos de chão da morte. A tragédia suprema do pobre é que nem com a morte escapa da vida.”

Eliane Brum

Trecho de Enterro de Pobre, publicado em A vida que ninguém vê

Porto Alegre, 2006

 

A boa é se divertir…

♪ Lançar mais uma tattoo, mandar os problemas e geral tomar no c*!

Forfun – Hidropônica

;*

À segunda vista

Eles se conheceram e não se interessaram de pronto pelo outro. Não se davam falta nos domingos solitários nem sequer lembravam de seus rostos. Viveram tranquilos sem se saberem, e por não se saberem e não se apaixonarem é que viveram tranquilos. O amor é uma desgraça doce.

Nenhum dos dois via essa maquiagem mágica que transforma qualquer pessoa em uma divindade de perfeição irreal. Mas não sabiam o que era ouvir frases bonitas ao pé do ouvido, nem dar risadas sem motivos apenas por gostar de darem risadas.

Eles não se interessam de pronto, mas isso não tinha importância, o tempo existe e eles podiam aproveitar.

Por Rafael Prioli, em Janelas do Meu Quarto

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