Quais são os seus planos?

Quando eu era pequena, tinha uma única certeza da minha vida: ser pediatra. Eu podia sentir que tinha nascido para cuidar de crianças, coisa que hoje eu não teria a mínima paciência. Com o passar do tempo, a pediatria foi sumindo e, outras certezas absolutas, dessas que ninguém conseguiria mudar, foram surgindo na minha cabeça.

Eu sempre soube, a partir daí, que seria mecânica. Sim, dessas de oficina mesmo, consertando carros. A faculdade de engenharia mecânica já estava decidida, até chegar na reta final do colegial.

A engenharia mecânica ficou de lado para dar lugar a uma vontade incrível de ser professora. Foi daí que a aluna nota 10 em matemática pensou em cursar essa faculdade, porque queria ser professora de ensino médio. Mas, matemática? Eu gostava tanto de língua portuguesa… As orações subordinadas eram minhas amigas também, assim como as fórmulas e aquelas contas intermináveis, que sempre me garantiram boas notas nas provas do Lessa.

Por isso, então, resolvi prestar Letras. Passei para a segunda fase da Fuvest. Português eu fui muito bem. História, o suficiente. E Geografia? Digamos que eu consegui errar 11 questões em 10.

Não passei em Letras, fui fazer Jornalismo. Quando finalmente decidi o que fazer na faculdade, me deparei com uma questão pior ainda: o que eu ia fazer na vida? Assessoria? TV? Rádio? Fotojornalismo? Repórter? Revista? Corporativa? Decidi que meu objetivo seria trabalhar na Capricho ou no Estadão.

Foi quando fui parar no SBT, trabalhando em produção, no Casos de Família. Dali então aprendi a gostar de televisão, e finalmente descobri onde eu deveria estar. Saí de lá pra Mega, pra trabalhar num jornal, mais próximo da minha área, mais próximo do que eu gostava. No começo eu carreguei fitas, colei etiquetas, traduzi textos, anotei tcs, decupagens, retrancas. Me jogaram pra edição, e aprendi a domar o Final Cut na teimosia mesmo. Me formei em jornalismo, com uma viagem praticamente planejada de intercâmbio, mas escolhi ficar e fazer a faculdade de Rádio e TV. Hoje eu sou redatora, consciente de que amanhã posso estar num lugar totalmente diferente.

Nessa semana me peguei pensando… Planejei tudo isso pra quê, se nada deu certo? Sou da opinião de que planejar pode gerar frustração, e essa a gente já ganha demais pela vida… Com essa oferta toda, acho que se frustrar devia ser uma coisa a menos para buscarmos.
Pois é… Nada, do que eu planejei até agora, deu certo. Nada, do que eu tinha certeza, chegou a acontecer ou a ir pra frente. Mas, sabe de uma coisa? Tudo o que me aconteceu foi bem melhor do que o planejado…

E você? Quais foram os seus planos?

2 thoughts on “Quais são os seus planos?

  1. Nada do que planejei prá minha vida deu certo também, mas é fato que tudo o que aconteceu serviu-me de aprendizado e devo dizer que tive experiências incríveis que, talvez se tivesse seguido à risca os planos não seriam tão bacanas. Mas o que aconteceu, valeu a pena e vivi! Experimentei! Queria ser astronauta, depois professora, veterinária, mas não ia rolar… veja, um simples Barco Wiking me desconcerta todo o organismo, fico ruim ruim… como aguentaria a ausência de gravidade, a velocidade as coisas todas a que deve resistir um astronauta? Mas vai saber, Papai do Céu tem sempre seus motivos prá cada um de nós… o que me importa mesmo é que nada aconteceu como eu gostaria, mas que talvez Ele tenha planejado assim e que no fundo foi bem melhor prá mim. Se eu fosse astronauta talvez não tivesse conhecido você e sua mãe né! Beijocas!

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