Seis coisas que desapeguei para ser mais feliz :)

Eu não gosto muito dessas listas – mentira, eu adoro – porque fico tentando segui-las e quando vejo gasto mais tempo pensando do que efetivamente fazendo algo por mim. MAS, não é que fazer uma lista própria ajuda e muito para ver como você está evoluindo? Decidi, portanto, listar seis coisas que me fizeram ser uma pessoa melhor ultimamente. Vamos acompanhar:

Se não soma, some: Cara, é libertador. Fulano começou a namorar e nunca mais apareceu pra um oi? Some. Só faz fofoquinha e planta sementinhas da discórdia? Some. Não precisa mais de você ou da sua amizade porque encontrou outra pessoa pra desempenhar o seu papel? Some. Aprendi muito a desapegar de pessoas que, sei lá por quais motivos – e não me interessa mesmo saber – deixaram de fazer questão de mim. Azar o delas porque eu sou MUITO maneira haha Enfim, falando sério… Parei de me desgastar tentando manter amizades que cagaram, andaram e ciscaram pra trás pra mim. Num soma mais na minha vida? Então beijotchau.

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Pare de esperar dos outros atitudes que você faria: Sim, eu sou tonta. Eu sei. Sempre esperei que o outro fizesse, agisse, pensasse como eu. Não preciso nem dizer o quão difícil é desapegar disso, mas mais desnecessário ainda dizer que, quando você desencana disso, e aceita que as pessoas são como são, sua vida melhora uns milhões por cento. Por que? Porque as pessoas não mudam, e se você gosta delas, tem que gostar como são. Por que? Porque sim, Zequinha.

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Pare de reclamar do que você não tem, e curta mais o que você tem: ué, é óbvio. Parei de reclamar que num tinha um carro e ainda odeio o ônibus, mas aceito. Vou mais cedo para o ponto para, caso o primeiro que passe esteja cheio, eu possa pegar o próximo. Esse tipo de coisa, sabe? Tava ficando amargurada com a vida, parei e pensei em quais eram as opções. Comprar um carro estava fora de cogitação, cair do céu menos ainda, então, o negócio é ser feliz com o que eu tenho. Aplique isso em diversas camadas da vida e aguarde resultados.

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FAÇA SUAS NECESSIDADES NA HORA QUE DER VONTADE: você acorda e faz cocô, almoça e faz cocô e ainda faz um esforcinho antes de dormir? Que bom pra você, campeão, porque quem tem intestino preso sabe do que eu tô falando. Só de ir uma vez na semana é uma felicidade sem igual, que era o que me sobrava porque geralmente quando me dava vontade eu não estava em casa. Aí a vontade passava e já era, só no próximo ano bissexto. Até que alguém me disse que todos fazem cocô e ninguém come flor, e que usar o banheiro não era motivo de vergonha pra ninguém. Então não espero mais: deu vontade, vou, cabou e sou uma pessoa mais feliz. Se você se identifica, deveria tentar. É mais libertador do que o primeiro item da lista.

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Cara, espere resultados a longo prazo: sou dessas que faz cinco abdominais e já acho que tenho que sair uma blogueira fitness da academia. Dessas que faz um lance bacana e que espera o reconhecimento imediato. NÃO, TÁ ERRADO. Paciência é a chave de tudo. Quem acredita sempre alcança, de grão em grão a galinha enche o papo e tudo que eu quiser o cara lá de cima vai me dar – mas só se eu tiver paciência. As coisas não são no ritmo que queremos e exercitar essa arte de esperar pelo que estamos trabalhando é essencial para o sucesso. Claro que num dá pra ficar sentado olhando a banda passar sem fazer nada. “Ai, o que é meu tá guardado”. Sim, mas só se você correr atrás.

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Pare de dar explicações: Por que? Porque sim, Zequinha.

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E uma regrinha de ouro que todo mundo aprendeu com a mamãe (ou deveria ter aprendido, eu acho): NÃO FAÇA PROS OUTROS O QUE VOCÊ NÃO GOSTARIA QUE FIZESSEM COM VOCÊ. É simples, básico do básico pra uma boa convivência e o mínimo de respeito, consideração e empatia que se pode ter por alguém. Seu comentário é realmente necessário? Como você se sentiria se fulana fizesse o mesmo com você? Você não tá sendo egoísta e tacando o foda-se pro bem-estar do seu amiguinho? Pensar duas vezes não custa nada, ainda mais se é algo que pode prejudicar alguém e abalar a relação que você tem com essa pessoa.

empatia

É isso, amiguinhos. A minha dica é: não sigam a minha lista, mas se inspirem a criar hábitos próprios, que façam com que você se sinta uma pessoa melhor. 😀

Até a próxima lista – ou não! Câmbio, desligo. :*

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Meu #DesafioSemMake

Não sei pra vocês, mas pra mim a internê tem se superado no quesito babaquice ultimamente. Cada semana, uma nova besteirinha que, não sei porque c*ralhos voadores, vira moda. A última é o tal do desafio sem maquiagem. É muito ‘hihihi minha amiga me desafiou, mas isso não se faz com amiga’, ‘ai, que vergonha, mas essa sou eu’, ‘carinha de cansada, mas tá valendo’ pra pouca paciência, né minha gente? Eu ainda não entendi se é pra ganhar confete ou por pura falta do que fazer. Afinal, mulherada, não são vocês que saem por aí gritando pela real beleza, que você é linda de qualquer forma, que você se aceita como é? Então, qualé? Nos bastidores vai maquiada pra academia, se mata na dieta e só sai de casa se estiver impecável?

Sei lá, mas me parece que a questão da maquiagem vai muito além. Cai na aprovação dos outros, de precisar que te digam que você é bonita sempre, de gente que adule o tempo todo, de mais de sei lá quantas dezenas de curtidas na foto. A maquiagem, aí, esconde muito mais do que as olheiras depois de uma noite divertida com as amigas – o que também não é motivo pra meter um reboque na cara logo de manhã –, mas sim uma necessidade de estar perfeita pros outros. Gracinha por fora, mas acabada por dentro não faz minha cabeça.

Ainda assim, escutei que eu era contra esse troço porque não tinha coragem hahaha de colocar a minha foto hahaha sem maquiagem. Só rindo mesmo. Eu nem uso, não seria novidade nenhuma. Mas quer mesmo me ver sem maquiagem? Então, lá vai.

Eu tinha 18 anos. Era uma tarde bonita, ensolarada. Eu estava no consultório branco, na cadeira amarela rodeada de parafernálias, quando as três dentistas-irmãs que cuidam do meu caso foram bem diretas: “Não tem outro jeito, Luiza. Ou você tira agora, ou tira daqui alguns anos. Mas vai ter que tirar, hora ou outra”. Para que, então, deixar mais pra frente o inevitável?

Exames feitos, anestesista contratado e hospital definido, fiquei banguela aos 19 anos. Banguela. Não tirei os sisos. Tirei três dentes, do lado esquerdo da boca, da parte de cima. OH, que tragédia! Não? Não.

Me lembro que, na época, eu ficava com um cara da minha faculdade (que por acaso, quatro anos depois, virou meu namorado ❤ – não perguntem como). Eu perguntei “vou fazer uma cirurgia, vai dar uma mudada no meu rosto. Tudo bem?”, e ele respondeu brincando “não ficando banguela, tá valendo”. E eu? Eu dei risada, e confirmei que era aquilo mesmo.

Eu trabalhava num programa, em que colocávamos dentes nos participantes, para que não aparecessem banguelas na televisão. Resultado? “Gente, num esquece de marcar o horário da Luiza!” a cada gravação que tinha. E todos davam risada – incluindo a Luiza banguela.

Meu amigos todos sabiam, e são meus amigos até hoje. Minha família – óbvio – também. O romance ali num vingou, mas por outros motivos. Cheguei a escutar, num barzinho, “ela é bonitinha, pena que é banguela, né?”, “será que ela baba?”. E eu? Faço piada até hoje com a situação. Minha autoestima continuou lá em cima, continuei sorrindo, ficando com uns caras por aí, me sentindo bonita, saindo com os amigos, rindo da vida. Afinal, qual era a outra opção? Me trancar em casa até colocar dentes falsos no lugar com certeza não.

Quando cê é banguela, amiga, não tem maquiagem no mundo que coloque seus dentes de volta. Mas também não há demaquilante nenhum que tire o sorriso do seu rosto, se você se aceita como é. Não importa o seu problema (tipo uma básica falta de dentes), se você é feliz… você apenas é. É linda. Com ou sem make.

Estamos entendidos? Então, prazer, essa sou eu, cumprindo o #DesafioSemMake.

Agora, voltemos ao trabalho.

 

sorriso

Minha mãe me ensinou

Minha mãe me ensinou a não pisar na grama, e não pisar nos outros.

Me ensinou que o assento preferencial é aquele marcado com cor diferente, ou o nosso próprio assento, quando quem está no preferencial finge que está dormindo.

Me ensinou a olhar para os dois lados, antes de atravessar a rua e antes de acreditar no que me dizem.

Me ensinou a contar até 10, principalmente se a situação exige paciência.

Ensinou também que cair e se machucar faz parte brincando de pega-pega, que na vida a queda é bem maior e a dor pode durar um pouco mais – mas que ambas passam.

Me ensinou que se a prova de matemática fosse tão difícil, não existiria ninguém na série seguinte – e assim que, confiar em mim mesma é a minha maior garantia de sucesso, para qualquer coisa.

Ensinou que tomar injeção dói, mas não tanto quanto colocamos na cabeça. Que isso é medo, e o medo só aumenta as coisas (como a Branca de Neve que estava vendo monstros na floresta, mas que na verdade eram só os bichinhos).

E me ensinou que ‘por favor’ e ‘obrigado’ nunca é demais.

Obrigada, mãe.

mamadi

Não repara a bagunça…

Oi, eu sou o Saci, e estou de suéter

Oi, eu sou o Saci, e estou de suéter

– Seu cachorro é muito fofo!

– Ele tá é precisando é tomar banho.

– Seu cabelo tá lindo!

– Imagina, nem arrumei hoje!

– Que linda sua blusa!

– Ih, é tão velha…

Não sei vocês, mas já me peguei – e muito – nessa de falsa modéstia. Falsa porque, ué, se alguém te elogia, você lá tem que pedir desculpa por ser elogiado? Por que fazemos isso o tempo todo, e não assumimos no que somos bons, no que temos de bacana? Medo de nos acharem arrogantes, metidos, convencidos? Ora, se você diz que tua blusa é velha ou teu cachorro é sujo, vão é te achar um desleixado, descuidado. Queria entender porque queremos que as pessoas nos achem menos, sendo que cada um de nós tem algo incrível – ou vários ‘algo’ – para mostrar.

Começo aqui uma campanha #contrafalsamodéstia. Meu cabelo é lindo, cuido dele como posso e o acho incrível. Meu cachorro dá vontade de abraçar e não soltar nunca mais. Minhas roupas podem até ser velhas, mas se estou usando-as é porque realmente gosto e, então, são lindas mesmo.

Vamos nos mostrar, nos sentir bonitos, descolados, cheirosos, arrumados, incríveis. Afinal, o que há de tão errado nisso, a ponto de desviarmos do assunto quando alguém nos repara?

– Teus textos são demais!

– É nada, só escrevo bobeira nesse blog…

Me liga, me manda um telegrama, uma carta de amor…

Mas nunca, NUNCA, me mande um e-mail. Eu vou guardar, eu sei. E eu não quero guardar. Por que sabe uma coisa que faz mal? De verdade? Esqueça a cerveja, as noites mal dormidas… Nada disso faz mal, colega. Acredite. O que faz mal mesmo é reler e-mails antigos.

Aquela pasta, que você deixou lá, quietinha na dela. Aquela que você até colocou um nomezin tosco, pra não abrir nunca mais. Por que? Porque sabia que reabri-la, um dia, não seria boa ideia. São coisas que você quer guardar, mas que não quer. Aquelas milhares de palavras trocadas um dia, que ficam ali registradas com data e hora. É uma verdadeira maquininha do tempo, que consegue te levar ao exato momento em que você leu, ou escreveu, aquilo. Cara, sério, é a sensação mais besta do mundo. São pequenas caixinhas de pandora que, quando abertas, liberam uma porção de sentimentos misturados. Saudades, confusão, nostalgia. Como eu podia ter escrito aquilo? Como fulano poderia ter dito isso um dia? Tem de tudo ali: amor não correspondido, meta não alcançada, até aquela dieta que nunca chegou a sair do papel – sequer do e-mail.

Se eu pudesse te dar apenas um conselho seria, com toda certeza do mundo, para que você não abra antigos e-mails. Se joga na cerveja. Fica acordado até tarde. Porque uma coisa te garanto: ler e-mails antigos vai te tirar o sono e, é claro, te fazer querer afogar o passado numa cerveja.

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Tudo bem. Vai lá… Eu sei que você vai ignorar meu conselho. Dá uma play e se joga na sua caixa sem culpa – e me chama pra cerveja depois!

Meu, tu não sabe o que aconteceu!

O Chorão morreu. Morreu, assim. Não sei se foi do nada, não sei de nada. Sei que o cara teria sido encontrado morto no seu apartamento, em Pinheiros, na madrugada de hoje. Sei que uma geração inteira, que tinha lá seus 14 anos quando cantava loucamente Zóio de Lula, chora hoje a morte do Chorão.

Me lembro bem das festas de 15 anos, lá pra 2003. O auge da balada, regada a muita batida sem álcool, era quando tocava CBJR. “Eu não sei fazer poesia, mas que se foda. Eu odeio gente chique, eu não uso sapato”, e a gente gritava aquele pequeno momento de rebeldia.

Eu, particularmente, adoro CBJR até hoje. Fui num show deles ano passado (com o Champignon, yes!), e devo dizer que é uma coisa incrível. Via gente de todas as idades, cantando com o cara dos “tchutchupa titipei”. Umas pessoas mais velhas que eu, curtindo as das antigas. Enquanto rolava “Rubão”, o pessoal que hoje tem uns 13 anos ficava lá, quietinho, assistindo. Já quando tocava as que estão hoje nas rádios, era vez da velha guarda assistir um coro de novinhos cantando como se não houvesse amanhã.

Preço Curto… Prazo Longo

Uma coisa é certa, Chorão: você marcou uma geração. Seja lá o que tenha acontecido, o riff da Malhação sempre vai despertar em todos nós pelo menos uma nostalgia gostosa. Nas rodas de violão, assim como nas festas, iPods e conversas de bar, sua música vai estar lá.

Porque, meu, cê num sabe o que aconteceu! Os caras do Charlie Brown invadiram a cidade. Pra sempre.

Hoje é dia do orgasmo, sabia?

 “Amanhã é dia do orgasmo. Você poderia escrever alguma coisa sobre?”. Eu sabia que não devia ter perguntado pra chefia se tinha alguma demanda pra mim. Pô, dia do orgasmo? Esse é o tipo de coisa que, quando alguém comenta, fica na cabeça. Só que orgasmo é assunto de mesa de bar, e não daqueles que você fala com a sua mãe. Aliás, me dá calafrio de imaginar minha mãe lendo isso. Sei nem como salvar esse arquivo no meu mac. Pra não gerar suspeita, ficou como ‘Galeria’, na pasta de um outro freela , do livro da Igreja. Deus me perdoe. Comprei o vip pra highway to hell (adeus, stairway to heaven!).

Pra começar bem o texto, deixei o Marvin cantando Let’s get it on (pra dar aquele clima) e decidi não começar por lugar nenhum, mas pelo que viesse na cabeça. Ainda mais assim, sem jantar, sem cinema, sem uns bons drinks. Fica difícil chegar lá!

Começando pelo lado informação da coisa, o dia do orgasmo foi criado na Inglaterra, por várias redes de sex shop. O objetivo, claro, não poderia ser outro, senão incentivar o dito cujo. Ao que parece, a pontualidade britânica não funciona quando o assunto é sexo, e o orgasmo não chega na hora esperada. Mais precisamente, não chega em 80% dos casos. Complicadíssimo. No Brasil, essa taxa atinge 50% das mulheres, de acordo com um estudo conduzido pelo Projeto de Sexualidade da USP (ProSex). É amiga, 50%. É amigo, 50%. Aquilo molhado não é sempre uma demonstração de prazer. Te contar esse segredo: É baba.

Continuando…

Onde estávamos? Ah, no orgasmo.

A música vai rolando e o texto vai saindo, aos poucos. Passando pelas preliminares da introdução. De repente, não tá mais tão difícil assim. Aos poucos, o pudor vai se despindo. Na boa, dia do orgasmo devia ser todo dia. Tipo dia do rock. E pensando bem, quer coisa mais rock’n’roll que o orgasmo? O orgasmo livre, livre da obrigação de acontecer, de fingir, da expressão vazia. No chão, no carro, na cama, na escada, no elevador, na piscina, na praia, no cinema, na barraca, na cozinha, na mesa, debaixo da mesa, no sofá, na parede, no móvel da sala, no banheiro, naruanachuvanafazenda ou numa casinha de sapê! É buscar o que te dá prazer, como te dá prazer, com quem te dá prazer (seja esse quem uma, duas, dez pessoas.) Aquele prazer que deixa a boca seca, que te deixa sem ar, sem a vergonha das caras e bocas que surgirem, e dos ruídos mais íntimos e espontâneos. É curtir o momento, gostar, amar, apertar, morder, lamber, arranhar, beijar, bagunçar, puxar, pegar, sentir, suar e…

Eaí, foi bom pra você?

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Texto meu, publicado no site da Galeria do Rock.

But I said ‘no, no, no’

“A Amy Winehouse morreu, Lu! Vai trabalhar!”. Foi com essa frase que o meu irmão me tirou daquele clima de sábadonãoprecisotrabalhar, no meio da tarde. Sim, meu irmão faz questão de me avisar sempre que alguém morre, e diz que eu tenho que fazer plantão no jornal. Pode parecer estranho, mas é que uma vez eu comentei com ele que, sempre que alguém morria, o trabalho ficava bem mais interessante. A ocasião não é das melhores, concordo. Mas, tenho que reconhecer: tragédias naturais, ataques de grandes proporções e a morte de personalidades deixam a redação bem mais interessante. As matérias rendem mais, a repercussão rende mais e, enfim, a vida é mais bonita quando há assunto de sobra pra colocar no jornal. Voltando para a menina Amy Winehouse… Na hora, pensei que fosse mentira. Veja bem, esses dias um grupo de hackers invadiu o site da Fox e matou o Obama… Não vi motivos para que não acontecesse o mesmo com a Amy Winehouse, cuja morte já era mais do que esperada, apenas uma questão de tempo. Bom, confirmada a morte da cantora, mandei uma mensagem pra minha chefe, comentando que a bendita tinha cinco dias úteis para escolher morrer… Por que num sábado, que não temos jornal? Foi quando a Malu, minha chefe, me propôs escrever uma crônica sobre o assunto. Topei de cara. Tudo combinado, a Malu me mandaria um e-mail com o começo, para que eu desenvolvesse o resto, como um exercício mesmo (pois é, minha chefe me dá lição de casa). Cheguei em casa e abri o tal e-mail, esperando por uma introdução poética a la Malu. De fato, ela estava lá. Mas estava seguida de indagações. Indagações que eu não fazia ideia do que responder. Sobre como eu me sentia sobre a morte de Amy Winehouse, uma jovem de 27 anos que tinha tudo e não tinha nada. Tinha um mundo de fama, música, dinheiro, shows, drogas, vício, decadência. E eu percebi que não sabia como me sentia sobre isso. Amy Winehouse não era só um lead, que morreu tal dia, a tal hora, por conta disso e daquilo outro. Ela era uma pessoa, uma jovem que tinha ambições, uma adolescente que teve sonhos e uma criança que teve infância. Assim como eu, você, todos… Nesse momento de tapa na cara, a única coisa que eu senti realmente foi compaixão, dó e rezei, involuntariamente, por aquela mulher que morreu sozinha, deitada em sua cama. Sem família, amigos, ninguém por perto.
 De apenas um lead, Amy Winehouse se transformou, diante dos meus olhos, num objeto de admiração. Numa pessoa que merecia respeito, que não merecia se destacar apenas pela carreira conturbada e seu histórico com drogas. Ali existia um talento, uma menina sozinha, que talvez só quisesse ser vista. E, quem sabe, ajudada. É uma pena, Amy. Eles tentaram ajudar. Tentaram te levar para uma reabilitação. Mas, a sua única resposta foi um não, não, não…
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Escrevi esse texto há um ano, mas nunca publiquei. E hoje, um ano depois, continuo com a mesma sensação sobre Amy Winehouse. Uma perda lamentável…

Quando os maus tratos caem na rede

No finalzinho do ano passado, estava eu já deitada olhando o facebook, quando começam a pipocar dezenas de compartilhamentos da enfermeira assassina, que matou o yorkshire na pancada (me lembro de ter lido isso). Curiosa que sou, fui procurar o que estava acontecendo e dei um play que jamais deveria ter dado. Com apenas 10 segundos de vídeo, desliguei o Juca (meu iPod) e corri, chorando, para abraçar a Frida e a Vivi. Na época, eu ainda tinha as duas yorks (a Vick faleceu neste ano) e não conseguia entender como alguém teria coragem de bater em uma delas.
A enfermeira Camila Correa dos Santos, responsável pelas agressões que teriam sido a causa da morte da yorkshire Lana, foi multada em R$ 1.500. E fim. Essa foi a punição. Talvez ela respondesse por alguns outros crimes porque agredia o animal em frente a uma criança pequena. E expor uma criança a esse tipo de comportamento é, pelo menos, inaceitável. Está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, aliás.

A questão é que o caso só ganhou tamanha repercussão por conta das redes sociais. O episódio saiu do quintal da casa da Camila para o mundo em segundos. Assim que o vídeo foi postado no youtube, o barulho no facebook e no twitter foi tamanho que o Ministério Público foi acionado. Milhões de anônimos fizeram a situação chegar às autoridades, assim como personalidades que se envolveram na mobilização.

No entanto, nós sabemos que, infelizmente, esse não foi o primeiro (e nem será o último) caso de atrocidade contra animais. O fato é que antes não chegavam a opinião pública. Mas, na era das redes sociais, a apenas um clique de distância é possível compartilhar informações de qualquer tipo, a todos os seus contatos, e gerar essa mobilização.

A partir do caso do yorkshire, outras centenas de denúncias passaram a vir à tona. Os maus tratos começaram a estampar as primeiras páginas dos portais, ganhando destaque, inclusive, na televisão.
São cachorros, gatos, cavalos que sofrem nas mãos de pessoas que não tem compaixão por outro ser vivo. Como é possível, então, garantir que essa pessoa não faria o mesmo com outro ser também vulnerável? Segundo estudos, psicopatas em primeiro grau tem um histórico de agressões a animais – seres vulneráveis, sem defesa, assim como crianças, mulheres e idosos.
Infelizmente, no Brasil, as penas aplicadas a quem maltrata animais ainda são muito, muito brandas. Maltratar animais é um crime previsto no artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/98, com detenção de três meses a um ano e multa. A pena é aumentada em um terço em caso de morte do animal.

No entanto, essa penalidade branda não é reflexo de uma sociedade em crise? Como punir de maneira tão amena uma crueldade que poderia ricochetear anos depois em outros níveis? Acredito que o modo que você trata os indefesos reflete diretamente o modo como você se comporta socialmente. E aqui cabem não só aqueles que maltratam animais, não. Eu estou falando daqueles que destratam funcionários subordinados, familiares em situação de dependência e afins.

Acho que mais do que compartilhar fotos de bichos sangrando, machucados ou mortos na timeline, agir de forma consciente, contundente e buscar as conclusões de cada um desses casos poderia ser um primeiro passo em direção a soluções mais concretas. Só o ato de denunciar, de verdade, já é um grande avanço. Espero que essa mobilização nas redes sociais, um dia, saia do âmbito virtual e chegue, finalmente, a uma mudança real na sociedade – e deixe de ser apenas “chutar cachorro morto”.

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Como denunciar? Clique aqui! Eles agradecem! (:

Cães para adoção - Afeganistão

A anencefalia e o jornalismo

Tá rolando pelo facebook o seguinte vídeo:

É bonito, é emocionante, é uma história de superação. Concordo. Mas vamos aos fatos:

O STF julga nessa quarta-feira o direito de aborto para bebês diagnosticados com anencefalia. Anencefalia é uma má formação que impede que essa criança seja compatível com a vida – sim, é esse o termo usado pela medicina, incompatível com a vida. Por que? Porque é um feto sem cérebro. As chances de sobrevivência são nulas. Bebês anencéfalos sobrevivem por alguns minutos após o parto ou, em casos raros, apenas por algumas horas.
Pois bem, dito isto, como a menina Vitória, da reportagem, conseguiu sobreviver e, hoje, tem 2 anos?
A questão é que a menina da matéria não é anencéfala. Ela tem uma má formação no crânio chamada acrania. Se ela não tivesse cérebro, não teria sobrevivido. Aí que tá a diferença. Eu queria que alguém percebesse isso… e ninguém percebeu. A matéria explorou um assunto triste e delicado com uma história chocante, que pudesse sensibilizar as pessoas. Com imagens fortes de uma criança deformada, que sobreviveu a um destino pré-definido pela medicina. Só que não, ela não é um exemplo do que o STF deve julgar hoje. Hoje eles devem julgar crianças que não tem cérebro – e não as com má formação no crânio.
Fiquei puta da vida quando vi a matéria porque o assunto já é terrível de ser julgado. Concordo que a decisão cabe somente a mãe, de decidir manter ou não uma gestação para a morte. Só ela sabe a dor que sente em gerar uma criança com atestado de óbito no lugar da certidão de nascimento. Só que as pessoas já tem pouca informação sobre. Aí me vem um telejornal e expõe uma história de certa forma falsa, que não cabe como exemplo para a anencefalia. Não digo falsa porque é mentira. Digo falsa porque representa um assunto com o qual não corresponde. Aí é claro que a sociedade vai apedrejar uma mãe que escolher pelo aborto. Qual a responsabilidade (ou a falta dela) da imprensa, neste caso? Fico admirada que, ainda hoje, uma história comovente possa deturpar a verdade de tal forma. É incrível que a mídia ainda considere a população anencéfala, sem a capacidade de pensar, filtrar, distinguir. E é incrível que as pessoas, às vezes, parecem fazer questão de não terem cérebro, apenas absorvendo o que assistem, ouvem, leem. Acho engraçado isso. Perceba quantas pessoas hoje, no seu facebook, citaram esse assunto. E veja quantas compartilharam aquelas babaquices sem fim.

Chega a ser irônico – senão triste, mas, me parece realmente estranho que um Estado/sociedade realmente anencéfalo possa julgar a anencefalia.

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ps: Quando eu estava na faculdade, assisti a um documentário excelente da Eliane Brum, chamado ‘Uma História Severina’.

Como explica a própria Eliane, na sua coluna desta segunda-feira, 09/04, “… Severina, que nos conta com o seu viver o que é a vida em tragédia. Em 20 de outubro de 2004, no mesmo momento em que o Supremo derrubava a liminar que permitia o aborto de anencéfalo sem autorização judicial e um dos ministros perguntava se essas mulheres existiam, Severina Maria Leôncio Ferreira internava-se em um hospital do Recife para interromper a gestação. O médico decidiu deixar o procedimento para o dia seguinte – e no dia seguinte foi tarde demais. Severina teve de deixar o hospital carregando sua dor e sua barriga. Era o seu segundo filho. E ele não viveria.”

Uma pedrada na cara da sociedade

Antes de mais nada, leitor, deixe o preconceito de lado ao começar a ler este texto.  Não estou aqui para falar sobre Pelanza, Restart ou gosto musical. Esse texto é sobre um cara de 19 anos, que levou uma pedrada na cabeça enquanto trabalhava. Esse texto é sobre a falta de respeito e bom senso de um cidadão que se achou no direito de ferir alguém.

Pelanza logo depois de levar a pedrada. Músico levou um ponto no local do ferimento.

Milhares de pessoas atiram pedras, todos os dias, desta mesma forma. Esquecemos dos nossos tetos de vidro e apedrejamos tudo aquilo que consideramos errado. Mas, que seja, não vim falar de moralismo ou falso moralismo, já que a pedra atirada contra o vocalista, durante o show, foi real. E com a intenção de machucar, obviamente, já que ninguém atira o que quer que seja achando que isso não vá ferir. Essa pedra, na cara da sociedade, fere os padrões de boa conduta, de convivência social, que aprendemos desde pequenos.
Sou da opinião de que as pessoas não são obrigadas a gostar de nada, mas acho extremamente chato e irritante quem fala mal de tudo o tempo todo. Não gosta de Restart, não escuta. Simples. Não precisa condenar quem gosta e atirar uma pedra no vocalista. Não precisa sair pelo facebook fazendo piada. É ridículo, desprezível e baixo, muito baixo. Tão baixo quanto o ato covarde do cidadão responsável pela pedrada, que deve estar se gabando de ter acertado o menino e virado notícia. Bem, fazer isso enquanto anônimo é fácil. Cadê essa pessoa, que não teve a coragem de assumir o que fez? Difícil é subir no palco, expor seu trabalho a milhões de pessoas, correndo o risco constante de ser alvo de críticas.
E, sinceramente, já imaginou se todos nós saíssemos por aí, apedrejando tudo o que não nos agrada? Estaríamos todos condenados a viver, eternamente, na idade da pedra.

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.800 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 30 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

O Lula, o SUS e o blablabla

Pois bem, caros companheiros, o ex-presidente Lula está com câncer. No momento seguinte, começou a pipocar nas redes sociais a campanha “Lula, faça seu tratamento no SUS”. Em seguida, chegam os defensores da paz e donos da  verdade, criticando a piada de mau gosto. Circo armado, que comece o espetáculo. Na arena, os politicamente corretos  defendem um sistema de saúde precário, que afirmam beneficiar milhares de pessoas. Do outro lado, na corda bamba, milhares de brasileiros pedindo que o então ex-presidente do povo se trate num hospital público. Ok, eu juro que entendi até essa parte. O que eu não entendi foi em que momento a piada de mau gosto entrou em cena.

Veja bem, quando alguém que não tem plano de saúde é diagnosticado com câncer, não há piada nenhuma no fato de que sua única alternativa é depender da saúde pública. Por que então seria uma piada com Lula? Me desculpem a ignorância, mas não acho que seja um insulto pedir que um político, que tem como pilar de campanha a melhoria na saúde pública, se trate pelo SUS. E me  desculpem mais ainda aqueles que defendem o sistema.”Mas, Luiza, milhares de brasileiros são bem atendidos, voce não leu isso?”. Sim, eu li. Mas numa situação em que milhares se tornam exceção para milhões, acho inadmissível defender algo desse tipo. Eu mesma já dependi do hospital público, e me deparei com uma médica que nem sequer me examinou e receitou n medicações. Além do fato de eu estar ardendo em febre e pedir, por favor, para que ela fechasse a janela e receber um “ah, querida, mas se eu fechar a janela aí quem morre sou eu, de calor” em resposta. Já acompanhei pessoas no hospital, passando mal, que não tiveram nem a dignidade de um saco plástico para poderem vomitar em paz, em meio àquelas macas espalhadas pelo corredor.

Quer saber? Esse assunto já deu o que tinha que dar. Claro que não desejamos mal a ninguém e claro que, insistir que um político se trate no SUS seria o mesmo que pedir que os parlamentares utilizem o transporte público. Ninguém quer que ninguém morra, só quer usar a deixa como uma forma de se expressar, mesmo que isso não gere efeito algum.

E, numa boa, mas o Lula e os politicamente corretos que me desculpem mas, SUS, no dos outros, é refresco.

Capa do jornal Agora São Paulo de hoje, 02/11/2011

Quais são os seus planos?

Quando eu era pequena, tinha uma única certeza da minha vida: ser pediatra. Eu podia sentir que tinha nascido para cuidar de crianças, coisa que hoje eu não teria a mínima paciência. Com o passar do tempo, a pediatria foi sumindo e, outras certezas absolutas, dessas que ninguém conseguiria mudar, foram surgindo na minha cabeça.

Eu sempre soube, a partir daí, que seria mecânica. Sim, dessas de oficina mesmo, consertando carros. A faculdade de engenharia mecânica já estava decidida, até chegar na reta final do colegial.

A engenharia mecânica ficou de lado para dar lugar a uma vontade incrível de ser professora. Foi daí que a aluna nota 10 em matemática pensou em cursar essa faculdade, porque queria ser professora de ensino médio. Mas, matemática? Eu gostava tanto de língua portuguesa… As orações subordinadas eram minhas amigas também, assim como as fórmulas e aquelas contas intermináveis, que sempre me garantiram boas notas nas provas do Lessa.

Por isso, então, resolvi prestar Letras. Passei para a segunda fase da Fuvest. Português eu fui muito bem. História, o suficiente. E Geografia? Digamos que eu consegui errar 11 questões em 10.

Não passei em Letras, fui fazer Jornalismo. Quando finalmente decidi o que fazer na faculdade, me deparei com uma questão pior ainda: o que eu ia fazer na vida? Assessoria? TV? Rádio? Fotojornalismo? Repórter? Revista? Corporativa? Decidi que meu objetivo seria trabalhar na Capricho ou no Estadão.

Foi quando fui parar no SBT, trabalhando em produção, no Casos de Família. Dali então aprendi a gostar de televisão, e finalmente descobri onde eu deveria estar. Saí de lá pra Mega, pra trabalhar num jornal, mais próximo da minha área, mais próximo do que eu gostava. No começo eu carreguei fitas, colei etiquetas, traduzi textos, anotei tcs, decupagens, retrancas. Me jogaram pra edição, e aprendi a domar o Final Cut na teimosia mesmo. Me formei em jornalismo, com uma viagem praticamente planejada de intercâmbio, mas escolhi ficar e fazer a faculdade de Rádio e TV. Hoje eu sou redatora, consciente de que amanhã posso estar num lugar totalmente diferente.

Nessa semana me peguei pensando… Planejei tudo isso pra quê, se nada deu certo? Sou da opinião de que planejar pode gerar frustração, e essa a gente já ganha demais pela vida… Com essa oferta toda, acho que se frustrar devia ser uma coisa a menos para buscarmos.
Pois é… Nada, do que eu planejei até agora, deu certo. Nada, do que eu tinha certeza, chegou a acontecer ou a ir pra frente. Mas, sabe de uma coisa? Tudo o que me aconteceu foi bem melhor do que o planejado…

E você? Quais foram os seus planos?

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* Saí da Mega em agosto de 2012, sem sequer ter algo certo em outro lugar. No último dia do aviso, recebi o resultado de que tinha passado no curso de jornalismo do Estadão. Coincidência ou não, meu último dia também foi o mesmo que entrei, em 2009. No Estadão, ainda fiz dois frilas, no .EDU e no Paladar e, por indicação de uma repórter de lá, entrei como repórter na revista Wish Report.

E você? Quais foram os seus planos?

caderno

“Todo meu repúdio ao ato de violência…”

Não, não sou PT e não votei na Dilma. Mas pela primeira vez, desde que a nossa Presidente da República assumiu o cargo, eu concordei em gênero, número e grau com seu discuro.

Dilma estava em Brasília, comemorando um fato importante para nosso país: a marca de 1 milhão de empreendedores formalizados. No lugar da comemoração, um discurso emocionado dominou o palanque, com um pesar sentido no coração de cada brasileiro. Dilma expressou todo seu repúdio ao ato de violência que abalou o Brasil logo pela manhã deste 7 de Abril de 2011.

O país amanheceu em luto nesta quinta-feira. No dia do jornalista, assistimos a um episódio sem precedentes na história, de um ato violentamente covarde e covardemente violento. Perdemos 12 crianças, alvejadas pela mente psicopata de um homem. 12 pessoas inocentes, sem culpa e sem defesa.

O relógio da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste da cidade do Rio Janeiro, marcava cerca de 8:30 da manhã. Neste horário, um ex-aluno entrou na instituição e abriu fogo contra crianças e funcionários. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, tinha tudo planejado. Um crime totalmente premeditado, com munições suficientes para matar um número ainda maior de pessoas. Até uma carta de recomendações, sobre como proceder após sua morte, já estava pronta. O atirador, logo depois de ser imobilizado por um tiro na perna, se suicidou, colocando um ponto final em sua breve demonstração de covardia. E foi assim que 12 crianças perderam a vida e pelo menos outras 18 ficaram gravemente feridas. E por que? Por que estavam no lugar errado, na hora errada? Mas, quem ousaria afirmar que a escola seria o lugar errado para uma criança estar?

Neste período como redatora, já sofri por inúmeras crianças que também perderam suas vidas da forma mais banal possível: pagando o preço caro das atitudes do homem. Já chorei silenciosamente na redação por pequenos e pequenas que nunca nem vou saber o nome, mas que tiveram seus sonhos soterrados no Haiti. Crianças que perdem a vida, diariamente, em ataques terroristas no Oriente Médio e até mesmo espancadas pelos próprios pais, na Nigéria, sob acusações de bruxaria. Perdemos crianças para os acidentes, drogas, prostituição. E as perdemos, sempre, pelo mesmo motivo: a ignorância da humanidade.

Durante a tarde de hoje, escrevi umas 4 matérias sobre o episódio do Rio. Vi as mães chorando na porta da escola e o desespero de estudantes ensanguentados. Vi a nossa Presidente Dilma, mãe, avó e mulher, chorar pelas vidas precocemente encerradas. Vi todo apelo sensacionalista da imprensa, que monta um circo nas piores tragédias, e promove um verdadeiro show de horrores. E vi como nos anestesiamos diante dos  acontecimentos mais absurdos e inaceitáveis. Só agora, quando cheguei em casa, pude refletir sobre essas crianças e a grande perda que elas representam para mim, para você, para o Brasil e, por que não? Para o mundo.

Para finalizar, já com lágrimas nos olhos, faço das palavras da Presidente Dilma Rousseff, as minhas. Peço para você, leitor, um minuto de reflexão por estes brasileirinhos, retirados tão cedo de suas vidas.

FIM, negrito, tamanho 26

Sabe aquele livro que você está devorando e de repente começa a gostar tanto de lê-lo, que começa a ler mais devagar para que não acabe, pois, a cada página que passa, você sabe que o fim está chegando e não vai haver uma continuação? Um livro que você se identificou demais e que te fez mudar de pensamento sobre uma série de coisas?

De repente esse livro chega ao lento e premeditado “Fim” e o que acontece? Você sente um vazio muito grande por dentro, como se nada mais pudesse deixá-lo feliz. Eu me senti assim com vários deles. Todos estes, quando acabaram, me fizeram sentir um vazio enorme por dentro e refletir “Será que um dia vão lançar algum outro livro tão bom quanto?”. Eu me senti assim com alguém, também. No meu livro da vida, esse “fim” estava escrito, em negrito, tamanho 26.

E é aí que entra o porquê de a vida ser tão engraçada. De repente, sem tramóias ou combinações, o livro que você tanto adorou ganha uma continuação, uma continuação mais madura e cheia de novas aventuras, mesmo que algumas delas sejam extremamente erradas.

Se vai ser tão boa quanto eu realmente não sei… E esse é o real gostinho da vida. Mas de uma coisa eu tenho certeza, a prévia de lançamento conseguiu mexer comigo e me mostrar que muitas vezes o que a gente acha certo, não é tão certo assim. O futuro? Esse só Deus sabe. Mas, por enquanto, fica o aviso: o “fim”, antes tão solitário, ganhou, sem negrito, tamanho 24, postado um pouco abaixo, os seguintes dizeres: Continua…”

Mas tudo passa, tudo passará…

Tudo nessa vida passa. Tudo. Uma dor de barriga, um dedo quebrado, um coração partido, um sonho destruído. O cansaço do dia, a noite mal-dormida, o stress dos afazeres. A saudade que aperta, um amor não começado, uma chance não dada.

Uma oportunidade perdida, um tempo não doado, um carinho não feito, um dia não vivido.

Um sorriso desperdiçado, um desafeto desnecessário, um beijo não roubado, uma música não dançada.

Quer coisa mais simples do que como uma vontade passa?

O tempo passa, a vida passa. As pessoas passam, e, enquanto elas passam, você também passa.

Tudo nessa vida passa. Tudo.

Até uva passa.

E eu não podia deixar passar em branco essa brisa da madrugada.

Beijo nas crianças!

Tudo bem?

Esses dias voltando do trabalho, passei em frente a um lugar que eu ia sempre quando era mais nova.

A Churrascaria Búfalo, ali perto do CEAGESP, era a escolha do domingo quando o assunto era almoçar com o meu pai. Meu pai, mamadi, Lu e eu adorávamos ir pra lá, no 3VFALO. Sim, o 3VFALO era o nosso nome, do nosso lugar. Se vocês vissem o letreiro da churrascaria entenderiam como um Búfalo pode se transformar em 3vfalo em segundos.

Como nós sempre íamos lá almoçar, um tal dum gerente, que eu nem me lembro o nome (ou, na verdade, nunca nem soube), vinha sempre conversar com a gente. Não importa o que acontecesse, ou o que você falasse, a resposta dele sempre era um “tudo bem” em diversas entonações. Tudo bem? TUDO BEM? Tudo bem! Tudo bem… Sempre assim. Meu pai e ele travavam um diálogo interessantíssimo de tudobens. Incrível. No final, quando o cara deixava a mesa, ficávamos fazendo piada do tudobem e imaginando várias situações. “Oi, meu gato morreu. – Ah, tudo bem”; “Oi, meu tênis é azul. – Opa, tudo bem!”. Vou te contar que a gente se divertia às custas do tudobem. Mas… Tudo bem, faz parte.

Bom, ao passar pela 3VFALO eu vi que não tinha mais 3VFALO. Pelo que indica a placa da construtora, ali vai virar uma concessionária. Engraçado que, depois de quase 7 anos, parece que eu perdi meu pai de novo. Parece que as lembranças dos nossos almoços foram demolidas e desapareceram com o 3VFALO. No lugar, ficou um vazio facilmente substituível por uma nova construção. Pelo menos ali, porque meu vazio continua enorme.

Alguém pode, por favor, chamar o gerente e dizer que não, não está tudo bem?

10 coisas que eu odeio em você

Num sábado preguiçoso, jogando FreeCell e o celular desligado. Além do que, esse filme é uma graça e me lembra os tempos do colégio…

1 Odeio o modo como fala comigo e como corta o cabelo.
2 Odeio como dirige o meu carro.
3 E odeio seu desmazelo.
4 Odeio suas enormes botas de combate e como consegue ler minha mente.
5 Eu odeio tanto isso em você, que até me sinto doente.
6 Eu odeio como está sempre certo.
7 E odeio quando você mente.
8 Eu odeio quando me faz rir muito, e mas quando me faz chorar.
9 Eu odeio quando não está por perto, e o fato de não me ligar.
10 Mas eu odeio principalmente, não conseguir te odiar.
Nem um pouco, nem mesmo por um segundo, nem mesmo só por te odiar.

Um beijo e um queijo ;*

Devaneiando…

Hoje eu senti falta dele. Dele, não, deles. Senti falta do Mansur e sua arrogância. Senti pelo seu tédio e seu aprisionamento. E a Sharifa? Mal voltou do Paquistão, nem a vi direito e já sinto saudades. Assim como senti pela doce e judiada Leila e pela bela e preguiçosa (ou mimada) Sonya. Até mesmo do ignorante e primitivo Sultan eu senti falta hoje. Até dele!

Senti falta também do ar empoeirado das ruas de Cabul; Da livraria que, todos os dias, prendia Mansur, sua juventude e seus pensamentos impuros; Das paredes com buracos de bala do Mikrorayon; Das burcas esvoaçantes pelo mercado; Das refeições feitas no chão.

Eles todos, que me acompanham no caminho para o trabalho. Agora, estou aqui, sozinha, sentada na calçada do metrô Vila Madalena e escrevendo num guardanapo do Bob’s.

Porque, hoje de manhã quando troquei de bolsa, nem um bloquinho de papel amigo eu peguei. E nessa do esquecimento/pressa, deixei todos eles em casa, sufocados, repousando no meu criado mudo.

Que merda. Odeio esquecer meu livro.

Personagens do livro-reportagem O Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad

À segunda vista

Eles se conheceram e não se interessaram de pronto pelo outro. Não se davam falta nos domingos solitários nem sequer lembravam de seus rostos. Viveram tranquilos sem se saberem, e por não se saberem e não se apaixonarem é que viveram tranquilos. O amor é uma desgraça doce.

Nenhum dos dois via essa maquiagem mágica que transforma qualquer pessoa em uma divindade de perfeição irreal. Mas não sabiam o que era ouvir frases bonitas ao pé do ouvido, nem dar risadas sem motivos apenas por gostar de darem risadas.

Eles não se interessam de pronto, mas isso não tinha importância, o tempo existe e eles podiam aproveitar.

Por Rafael Prioli, em Janelas do Meu Quarto

A boa é se divertir…

♪ Lançar mais uma tattoo, mandar os problemas e geral tomar no c*!

Forfun – Hidropônica

;*

Enterro de pobre

“Não há nada mais triste do que enterro de pobre porque não há nada pior do que morrer de favor. Não há nada mais brutal do que não ter de seu nem o espaço da morte. Depois de uma vida sem lugar, não ter lugar para morrer. Depois de uma vida sem posse, não possuir nem os sete palmos de chão da morte. A tragédia suprema do pobre é que nem com a morte escapa da vida.”

Eliane Brum

Trecho de Enterro de Pobre, publicado em A vida que ninguém vê

Porto Alegre, 2006

 

Janelas…

Olha lá, quem tá on no msn. Quem diria, hein? Outrora, uma janelinha tão importante… E agora? Bah, agora tanto faz.

E pensar que eu passava horas e horas esperando você entrar. E quando você entrava, nossa! Só eu sabia como meu coração disparava, como eu ficava eufórica em ver sua janelinha, como eu ficava toooda idiota, calculando quanto tempo esperar para te falar um “oi”. Claro, porque se eu falasse assim que você ficasse on, pareceria desesperada demais. Se demorasse, vai que você saia de novo! E, nesses poucos minutos, a agonia tomava conta de mim. Mesmo porque, esperar um “oi” seu era terrível. Era a certeza de que não falaria com você naquele dia. Aí, meu mundo caiu e já era. Esperar mais um dia pela sua janela.

Agora, a sua janela não produz efeito nenhum. Pode estar on, ausente, ocupado, fazer spam. Sério, não dou a mínima. Não por vingancinha, orgulho… Nada disso. Simplesmente porque não me faz diferença mesmo.

Engraçado isso, né? Hoje em dia, eu não sinto mais essa ansiedade por uma janela. As pessoas mudam, crescem, amadurecem sentimentos. A sensação das janelinhas pode até existir, mas com menor intensidade. Talvez apenas por uma gostosa nostalgia. Com certeza, todos nós já fomos, ou somos,  as tão aguardadas janelas. E que todos nós somos, ou seremos, as janelas indiferentes.

Que seja, já está tarde, e eu nem sei porque comecei esse texto… E minha janelinha da vez acabou de falar comigo! (:

Beijobeijo :*

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